Tradição de doçura

 

Petiscos clássicos estarão nas mesas das famílias judaicas na celebração do Rosh Hashaná, que marca o início de um novo ano


Sílvia Laporte

Publicação: 25/09/2011 04:00

Nícia Back Sternick valoriza os costumes judaicos e sabe preparar as receitas que fizeram a fama da cozinha do seu povo (Pedro Motta/Esp. EM)  
Nícia Back Sternick valoriza os costumes judaicos e sabe preparar as receitas que fizeram a fama da cozinha do seu povo



Para os cristãos, a próxima quarta-feira, 28 de setembro , é uma data como outra qualquer. Para a comunidade judaica, no entanto, é um dia muito especial: o Rosh Hashaná, que marca a entrada de um ano, o de 5772. Em todo o mundo, as famílias judias voltarão para casa, depois de rezar na sinagoga, para uma refeição muito especial. “Nesse dia, comemos somente pratos mais adocicados, para que o ano que começa seja doce”, explica Nícia Back Sternick, que, além de preparar receitas tradicionais para os filhos, os netos e os amigos, atende por encomenda (31-3292-2815/9949-2815).


Na mesa do Rosh Hashaná os elementos têm valor simbólico: “São os frutos da terra de Israel”, diz Nícia. Tâmaras e fatias de maçã fresca com mel representam a esperança de que a celebração marque o começo de um ciclo de muita doçura para todos os presentes. O bolo de mel é outro item obrigatório, pelo mesmo motivo. As romãs simbolizam os votos de que as pessoas pratiquem tantas boas ações quanto elas têm de caroços nos 365 dias seguintes. “Também não pode faltar o hallah (ou challah), rosca redonda, sem pontas, que representa o círculo da vida, a continuidade. São postas sempre duas na mesa”, acrescenta Nícia.


A tradição de evitar toques picantes, amargos ou salgados na mesa do Rosh Hashaná não impede que sejam servidos os pratos que fizeram a fama da cozinha judaica. As receitas são adaptadas para a ocasião. Às vezes, a batata é substituída pela batata-doce, as cebolas são caramelizadas e os cozidos de carne ganham ingredientes como passas, ameixas e tâmaras. Na celebração da família de Nícia, todos poderão saborear, depois das orações de quarta-feira, o famoso gefilte fish, bolinho de peixe cozido em caldo bem temperado. Ele só não será servido com o seu acompanhamento clássico, o chrain, pasta de beterraba e raiz-forte, “que é picante”, explica ela. Haverá, também, varenike, espécie de ravióli recheado com batata e regado com molho de cebola e “talvez um pernil de cordeiro assado”.


Em outros países, é costume comer cabeça de peixe ou outro animal no Rosh Hashaná, pois se acredita que as pessoas devem manter-se sempre no topo e não na “cauda” ao longo da vida. Um petisco bastante apreciado nesse dia é cenoura glaçada, de preferência cortada em rodelas, formato associado a moedas e à prosperidade. Os alimentos brancos também são privilegiados em algumas regiões, entre eles o pudim de leite e a geleia de coco, assim como comidas com formas arredondadas como bolinhos, ervilhas e grão-de-bico, para representar a continuidade e expressar o desejo de que o ano seja cheio. 

Reflexão Em hebraico, rosh hashaná significa “cabeça do ano”. É um feriado no qual se celebra a vida e a esperança, mas também voltado à meditação. É tempo de reavaliar as ações pessoais e de se arrepender pelos erros cometidos. A ideia é que cada um se torne um ser humano melhor aos olhos de Deus. O Rosh Hashaná abre um período de 10 dias de reflexão que culmina na data mais sagrada para a comunidade judaica, o Yom Kippur (dia da expiação, em hebraico) ou Dia do Perdão, no qual os arrependimentos sinceros são reconhecidos no plano divino, permitindo a limpeza e a renovação espiritual.


A origem do Rosh Hashaná (que no calendário ocidental é uma festa móvel) remonta à criação do homem por Deus. A crença diz que Adão foi criado e cometeu o pecado de provar o fruto da Árvore da Sabedoria nessa data, que teria sido, também, o dia em que Deus o julgou. É por isso que refletir sobre os próprios erros é obrigatório nesse período: a consciência de nossas ações e intenções é o primeiro passo para o arrependimento, que é o caminho do perdão.

 

 

Hallah

 

Ingredientes
2 tabletes de fermento dissolvidos em 1/4 de copo de água morna; 2 ovos batidos; 1 colher de sopa de açúcar; 1 colher de sopa de sal; 2 colheres de sopa de azeite; 2 copos de água quente e 8 copos de farinha de trigo.

 

Modo de fazer
Numa tigela, pôr o sal e o azeite e jogar a água quente. Juntar gradualmente o fermento, os ovos e a farinha. Misturar e trabalhar muito bem, até obter uma massa lisa e elástica. Deixar descansar, coberta por um pano úmido, até que dobre de volume. Tomar metade da massa, cortar em três partes iguais, fazer com elas tiras de 4cm de espessura e trançá-las, unindo as pontas. Pincelar com gema de ovo e salpicar com gergelim (opcional). Assar em forno quente durante 15 minutos, baixando para forno moderado e deixando completar uma hora de cozimento.

 

Bolo de mel

 

Ingredientes
1 copo de mel; 1 copo de café coado forte; 1 copo de óleo; 4 ovos inteiros; 2 maçãs grandes raladas; 2 copos de açúcar; 4 copos de farinha de trigo; 1 colher de sopa de bicarbonato e nozes e passas a gosto (opcional).

Modo de fazer
Juntar todos os ingredientes e bater na batedeira (o ponto da massa é mole). Untar a forma com óleo e polvilhar com farinha. Assar em forno preaquecido.

Fonte: Estado de Minas - http://impresso.em.com.br/app/noticia/toda-semana/degusta/2011/09/25/interna_degusta,7721/tradicao-de-docura.shtml





Redes Sociais
Rua Rio Grande do Norte, nº477 – Funcionários - Belo Horizonte - MG | CEP: 30130-130
Telefone: (31) 3224-6673 | e-mail: fisemg@fisemg.com.br