Sistema nervoso tem grande influência sobre o sistema imunológico, mostra livro

Sistema nervoso tem grande influência sobre o sistema imunológico, mostra livro

A conexão entre a mente e o corpo, ou mais especificamente, entre o cérebro e o corpo, é conhecido há muito tempo.

Muitos cientistas acreditam que existe uma ligação direta entre a saúde mental – especificamente estados como ansiedade, depressão ou raiva – e a saúde do corpo. Até mesmo os antigos gregos proclamavam “mente sã em corpo são”, mas apenas recentemente estudos mostraram que há uma relação direta entre os neurotransmissores, que agem principalmente no sistema nervoso central e periférico, e o sistema imunológico.

Uma das cientistas cujo trabalho levou a essa conclusão é a Dra. Mia Levite, da Escola de Ciências Comportamentais no Colégio Acadêmico de Tel Aviv – Yafo. Em uma pesquisa conduzida ao lado do Prof. Yitzhak Koch, do Departamento de Neurobiologia do Instituto Weitzman, e dos alunos de pesquisa Alon Chen, Yonatan Ganor, Shai Rahimifar e Nurit Ben-Aroy, que foi publicada na revista científica Nature Medicine, a Dra. Levite mostrou que os neurotransmissores podem ativar determinadas células (tipo T) no sistema imunológico.

A Dra. Levite se perguntou se é possível que substâncias produzidas no cérebro possam afetar o sistema imunológico, cuja função é proteger o corpo de males externos, como vírus ou bactérias nocivas. A surpreendente resposta é sim. Além disso, existe uma forte inter-relação entre os neurotransmissores e o sistema imunológico.

A Dra. Levite reuniu seus resultados e os de outros pesquisadores israelenses e estrangeiros em um livro científico recentemente publicado, editado por ela. O título, “Nerve-Driven Immunity” (Imunidade Acionada pelo Sistema Nervoso, em uma tradução livre), refere-se à capacidade do sistema nervoso (células nervosas, neurônios) de influenciar e estimular o sistema imunológico. De fato, a maioria dos transmissores neurais mencionados no livro é conhecida inteiramente ou em parte.

Pessoas que usam antidepressivos da família ISRS (Inibidores Seletivos de Recaptação da Serotonina) – como Prozac, Lexapro e seus derivados – sabem bem o que é a serotonina, considerada uma “droga da felicidade”. O mesmo acontece com outro neurotransmissor, a dopamina, parcialmente responsável pelo bom humor, pela energia e pela vitalidade.

Há também a adrenalina, a noradrenalina e neurotransmissores como os opioides (opiáceos como heroína e morfina, conhecidos por seus poderes analgésicos) ou os canabinoides (receptores de canabinoides e seus derivados, como maconha, haxixe e charas).

Descobrindo como a depressão afeta a saúde física

O livro descreve as novas descobertas e pesquisas recentes sobre a influência direta de neurotransmissores no sistema imunológico. Essas descobertas podem ter um importante impacto científico e médico, como o desenvolvimento de novos tratamentos e medicamentos para doenças imunológicas (doenças resultantes da falta ou do excesso de imunoterapias) e doenças neurológicas (doenças associadas com os sistemas nervosos central ou periférico).

“A primeira revolução apresentada no livro é o modo de encarar os neurotransmissores”, afirma a Dra. Levite. “Até hoje, esses transmissores eram desconhecidos como substâncias que poderiam ter um impacto direto no sistema imunológico. No livro, mostramos que eles estão diretamente relacionados com o sistema imunológico e influenciam a ativação, amplificação, supressão e redução de muitas atividades importantes realizadas pelas células imunológicas.”

A segunda revolução introduzida no livro se refere à forma de perceber a identidade e a origem de substâncias que afetam o sistema imunológico. De acordo com as descobertas apresentadas no livro, as células imunológicas podem ser ativadas ou suprimidas por neurotransmissores, que são produzidos no sistema nervoso cerebral. “Em outras palavras, a ativação do sistema imunológico por ‘mensageiros cerebrais’ e pelo sistema nervoso pode ocorrer na ausência de ameaças externas ou internas ao corpo”, explica.

O livro argumenta que se isso for verdade, estaremos finalmente no início de uma era que nos permitirá entender de que forma cérebro e mente saudáveis fortalecem o sistema imunológico e assim contribuem para a resistência do corpo contra fatores externos ou internos causadores de doenças.

O livro mostra que poderemos de fato ter descoberto o modo – antes apenas uma suposição, agora quase palpável – como as experiências negativas de nossa vida (estresse, depressão, traumas ou lesões cerebrais) podem prejudicar direta e rapidamente o funcionamento do sistema imunológico, causando hipersensibilidade e até mesmo o desenvolvimento de doenças infecciosas e autoimunes e câncer.

“O Lexapro afeta o sistema imunológico”

A Dra. Levite explica os possíveis usos dessas descobertas: “elas têm utilidade em duas áreas principais. A primeira é o próprio conhecimento. Atualmente, a maioria dos médicos, inclusive psiquiatras, não sabe e, portanto, não divulga essa informação a seus pacientes, embora prescreva diversas drogas como antidepressivos, que estão vinculados ao aumento de certos neurotransmissores. O Lexapro, e outras drogas relacionadas, é um exemplo proeminente.”

“Penso que o principal ganho dessas descobertas é o conhecimento de que, apesar de sua atividade antidepressiva – que é bem-vinda em si –, a quantidade de neurotransmissores pode afetar – para melhor ou pior – o sistema imunológico de pacientes que usam essas drogas.”

“Teoricamente, uma pessoa que usa essas drogas relacionadas ao aumento ou redução dos neurotransmissores pode estar mais vulnerável a doenças infecciosas ou até mesmo câncer, já que descobrimos que os neurotransmissores ativam, amplificam ou enfraquecem o sistema imunológico. Espero que essa informação seja incluída em breve nas bulas dos remédios.”

“Outro uso muito importante é na remoção de linfócitos do corpo do paciente (os três tipos de glóbulos brancos que atuam no sistema imunológico), expondo-os fora do corpo ao neurotransmissor dopamina, conhecido por aumentar e melhorar a atividade dos linfócitos, para então devolvê-los – depois de expostos à dopamina – ao corpo do paciente.”

“Isso aumentaria as chances de se movimentarem mais rapidamente e atacar com mais eficiência as células tumorais, vírus e bactérias. É como uma unidade de combate que deve lutar em território inimigo. O comandante estimula o soldado (fora do corpo do paciente) e o manda de volta para a batalha (dentro do corpo do paciente). Os soldados ficam mais fortes e corajosos e, portanto, mais eficazes na erradicação do inimigo.”

De acordo com a pesquisadora, as conclusões que emergem da reciprocidade entre os neurotransmissores e o sistema imunológico trazem a esperança de aumentar as capacidades ofensivas e de intimidação do nosso sistema imunológico, e também de combater o problema oposto: as doenças autoimunes, em que o sistema imunológico trabalha em excesso e ataca o próprio corpo.

“Neste caso, seria possível usar esse novo conhecimento para suprimir ligeiramente o sistema imunológico e impedi-lo de atacar o corpo. A descoberta é também relevante nos casos de rejeição de implantes, em que é necessário suprimir ou acalmar o sistema imunológico para que o corpo possa aceitar o implante”, diz a Dra. Levite.

Fonte: Ynet





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