Cientistas descobrem que o leite materno nem sempre é mais saudável

Cientistas descobrem que o leite materno nem sempre é mais saudável

Pesquisadores do Technion Institute identificaram uma mutação do transportador de zinco que causa deficiência da substância no leite materno. A deficiência pode levar a sérios problemas de saúde e o estudo é o ponto de partida para um teste genético capaz de identificar mães que precisarão fornecer suplementos aos bebês.

A crença de que o leite materno é sempre a opção mais saudável para as crianças é extremamente popular. A Organização Mundial de Saúde sugere que “a grande maioria das mães pode e deve amamentar os filhos, da mesma forma que a grande maioria dos bebês pode e deve ser amamentado”. Até mesmo Gisele Bundchen declarou que deveria haver uma “lei mundial” que exija a amamentação por, pelo menos, os seis primeiros meses de vida do bebê. No entanto, como descobriram os pesquisadores, uma mutação presente em algumas mães pode causar sérios problemas de saúde nos bebês cuja única fonte de alimento é o leite materno.

Zinco: ajudando as crianças a crescer e se desenvolver

“O zinco é um mineral que tem papel essencial no processo de crescimento e desenvolvimento, incluindo as funções motoras e cognitivas do cérebro e o funcionamento correto do sistema imunológico e da pele. Portanto, o zinco é um mineral essencial para a vida, especialmente para os bebês, que passam por um processo de crescimento e desenvolvimento acelerados”, explicou o professor Yehuda G. Assaraf, que liderou as pesquisas.

Muitas proteínas no nosso corpo dependem do zinco para ter um funcionamento normal. Níveis insuficientes de zinco podem causar erupções na pele e dermatite, com a aparência de queimaduras graves. Também pode levar a diarreia, perda de cabelo, apetite e impedir o funcionamento correto dos sistemas imunológico e nervoso.

Incapacidade de transportar zinco

Durante a amamentação, é a proteína transportadora de zinco 2 (ZnT-2) que leva o zinco do sangue da mãe ao leite materno. Os pesquisadores descobriram que uma mutação no código genético – as regras que determinam como o DNA e o mRNA são transformados em proteína – impede que a proteína ZnT-2 transporte o zinco até o seu destino. “O resultado disso é que o bebê que tem a amamentação como fonte única de alimento, sem qualquer suplementação, não recebe os níveis necessários de zinco, o que leva, por consequência, ao adoecimento”, explicou o professor Assaraf.

A pesquisa começou quando duas crianças foram encaminhadas ao Sheba Medical Center com uma série de sintomas que incluíam erupções severas na pele, que pareciam queimaduras. Os exames de sangue e análise do leite materno indicaram insuficiência de zinco. Isso levou os pesquisadoras e examinar as sequências de genes ZnT-2 das mães. “Cada gene tem dois componentes genéticos conhecidos com alelos – um se origina no pai e outro na mãe”, descreveu o professor Assaraf. Nas duas mães, um dos alelos estava defeituoso. Normalmente o segundo alelo, quando sadio, seria capaz para um funcionamento regular. Neste caso, no entanto, o transportador parou de funcionar.

O estudo lançou luz sobre a questão com a descoberta de que o transportador ZnT-2 opera em duplas. Isso significa que duas proteínas ZnT-2 idênticas se combinam para criar um transportador de zinco ativo. Quando uma das proteínas está impedida, o transportador fica inativo. Ou seja, basta uma mutação em um dos dois alelos para incapacitar as proteínas e desabilitar o transportador de zinco.

A descoberta abre caminho para testes genéticos em busca do gene defeituoso antes mesmo da gestação começar. Com o conhecimento, as mães que estiverem amamentando e apresentarem a insuficiência, poderão fornecer suplementos de zinco aos bebês para evitar problemas de saúde futuros. Os pesquisadores agora examinam a prevalência das mutações do gene ZnT-2.

O professor Yehuda G. Assaraf é chefe do Laboratório de Pesquisa de Câncer Fred Wyszkowski, no Departamento de Biologia da Technion. Ele liderou os estudos juntamente com o aluno de doutorado em biologia Inbal Lasry. Eles trabalharam em colaboração com os pesquisadores do Sheba Medical Center, liderados pelo Dr. Yair Anikster, além da professora Shannon L. Kelleher da Pennsylvania State University. As descobertas foram publicadas no Journal of Biological Chemistry.

Fonte: No camels





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