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Israel e Hamas chegam a acordo para libertar soldado israelense

Israel e o movimento islâmico Hamas chegaram a um acordo para trocar cerca de mil prisioneiros palestinos pelo soldado israelense Gilad Shalit, mantido refém desde 2006 na faixa de Gaza, informou nesta terça-feira uma fonte do setor de segurança de Israel citada pelo jornal "Yedioth Ahronoth".

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, confirmou em discurso televisionado que apresentará ainda nesta terça-feira a seu governo uma proposta de acordo com o Hamas para a libertação de Shalit.

"Apresentei ao governo um acordo que devolverá Gilad Shalit são e salvo a seus pais e a todo o povo de Israel em alguns dias", disse Netanyahu. "Este acordo foi concluído na quinta-feira (passada) e assinado definitivamente hoje", acrescentou.

O chefe do Executivo israelense qualificou as negociações --realizadas na última semana no Cairo com mediação alemã e egípcia-- como "muito demoradas e árduas" e assinalou que "a decisão foi muito difícil".

O acordo, possível graças a uma mediação egípcia, deve ser implementado em uma semana e o líder do Hamas, Khaled Mechaal, "pronunciará um importante discurso nas próximas duas horas", acrescentou a fonte.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, realizou nesta terça-feira uma reunião de emergência com seu gabinete, em que 29 ministros deveriam votar sobre a proposta, vista como "séria" pelo premiê.

De acordo com a fonte do jornal "Yedioth Ahronoth", Netanyahu já havia se reunido com a maioria de seus ministros para revisar os nomes dos prisioneiros palestinos que seriam libertados.

 

  Jack Guez/France Presse - 14.jul2011  
Franco-israelenses protestam pela libertação do soldado Gilad Shalit em Tel Aviv ainda em julho deste ano
Franco-israelenses protestam pela libertação do soldado Gilad Shalit em Tel Aviv ainda em julho deste ano

Um porta-voz do Hamas confirmou que o grupo chegou a um acordo com Israel para a troca. "Estamos em processo de conclusão dos arranjos técnicos para completar o acordo dentro de dias", disse Abu Ubeida à Reuters.

O acordo, segundo divulgou a televisão "Al Arabiya", foi obtido em negociações secretas nesses últimos dias.

Segundo a emissora do movimento radical Hamas, um alto comando das Brigadas Ezzedine al Qassam --braço armado do Hamas-- também confirmou a troca e, ainda nesta terça-feira, o primeiro-ministro do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, anunciará publicamente o acordo.

 

  Reuters  
Imagem do vídeo enviado pelo Hamas a Israel como prova de vida do soldado Shalit, em cativeiro desde 2006
Imagem do vídeo enviado pelo Hamas a Israel como prova de vida do soldado Shalit, em cativeiro desde 2006

O pai do soldado, Noam Shalit, disse à televisão pública de Israel que não estava a par das últimas negociações e que se dirigia a Jerusalém para chegar à tenda de campanha que tem instalada há dois anos junto à residência do primeiro-ministro.

ENTENDA

Gilad Shalit, que também tem nacionalidade francesa, foi sequestrado em 25 de junho de 2006, durante uma operação do Exército israelense na faixa de Gaza, segundo a versão palestina, e em sua base em território israelense perto do limite de Gaza, segundo a versão israelense.

Quando capturado, Shalit era cabo e tinha 19 anos. Ele foi promovido a sargento durante seu sequestro e estaria em alguma parte da faixa de Gaza, dominada pelo Hamas desde 2007, quando o secular Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, foi expulso do território à força.

Nos últimos anos, Israel e Hamas fizeram negociações com a mediação do Egito, mas as divergências eram grandes sobre o número de palestinos que o grupo islâmico exigia que fossem libertados e o destino deles --Israel queria que ao menos 450 fossem exilados em vez de retornarem às terras palestinas.

O principal obstáculo para Israel era a libertação de aproximadamente 400 presos envolvidos em crimes violentos. O governo do Estado judaico se negava a libertá-los ou exigia que fossem enviados à faixa de Gaza, embora seu lugar de procedência e residência familiar fosse a Cisjordânia.

Ainda em julho deste ano, o chefe das Forças Armadas de Israel, Benny Gantz, escalou uma equipe especial para revisar a investigação sobre o cativeiro de Shalit, após o fracasso de várias tentativas de acordo com o Hamas.

Na época, o ex-chefe das Forças Armadas Gabi Ashkenazi disse, pouco antes de deixar o cargo, que Israel não possuía as informações exatas sobre a captura do soldado e, por isso, não tinha meios para localizá-lo e nem agir para sua libertação.

O Hamas chegou a divulgar um vídeo de Shalit no cativeiro após a mediação de países europeus. Antes disso, esforços da comunidade internacional tinham rendido apenas o envio de algumas cartas e um áudio.

Na última tentativa de acordo, o Hamas já exigia a libertação de mil presos em troca de Shalit.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/989030-israel-e-hamas-chegam-a-acordo-para-libertar-soldado-israelense.shtml



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