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Com 27 músicas, Gil e Caetano põem a arte acima da política


Com 27 músicas, Gil e Caetano põem a arte acima da política

 

“Aprendi a amar esse lugar", Gilberto Gil.
"Tel Aviv me lembra o Brasil. As pessoas se parecem com a gente”, Caetano Veloso.


Com informações de Miriam Sanger, de Tel Aviv

Após meses de expectativa e polêmica, a semana foi de festa brasileira em Tel Aviv. Gilberto Gil e Caetano Veloso, dois ícones da música brasileira igualmente idolatrados pelo público israelense e pela comunidade brasileira local, se apresentaram na noite desta terça (28) no estádio Menorá Mivtachim Arena, maior espaço de eventos de Israel.

Com Peres, pela paz

Gil e Caetano encontraram-se na segunda, 27 de julho, com o presidente Shimon Peres no Peres Center for Peace, em Tel Aviv, no qual foi realizada uma entrevista coletiva com a imprensa nacional e internacional. O evento contou também com a presença do embaixador brasileiro em Israel, Henrique da Silveira Sardinha Pinto.

Peres afirmou que Caetano e Gil são "mensageiros da paz" ao trazerem a música brasileira para uma região tão conturbada. "Vocês fazem todo o mundo cantar. É uma grande honra, vocês são anjos".

Como fórmula para alcançar esse objetivo, Peres citou a persistência: “Desistir da paz é a pior coisa que pode acontecer. Não podemos sucumbir à falta de esperança. Precisamos aprender do passado e nunca desistir”.

Caetano e Gil, em breves discursos, frisaram seu desejo de que o país possa encontrar rapidamente uma solução para o conflito e falaram de sua relação de longa data com Israel:

“Já perdi a conta de quantas vezes estive por aqui. Foram oito ou nove, e aprendi a amar esse país. Agradeço o convite de Shimon Peres, que nos recebeu com tanto carinho. Cada vez que chego aqui, confirmo o quanto a MPB é significativa para a sociedade israelense. Acho que o melhor que podemos trazer do Brasil para cá é justamente isso: nossa música”, disse Gil.

Já Caetano fez uma declaração de amor a Tel Aviv, que citou em uma de suas músicas mais famosas, ‘Vaca Profana’: “Essa é a minha quarta visita à cidade. Amei-a da primeira vez e continuo apaixonado. Aqui, me sinto em casa. Tel Aviv me lembra o Rio, me lembra o Brasil. Até as pessoas que encontro nas ruas se parecem com a gente e se movimentam como nós”.

Encontro com 80 ONGs israelenses e palestinas

Depois do encontro com Peres, os dois seguiram para o salão de eventos do Hotel Dan em Tel Aviv, onde se hospedaram, para um encontro com os principais nomes da música israelense, como David Broza e Mira Awad, e com grupos israelenses que trabalham pela convivência entre árabes e judeus. Este evento foi organizado por Davi Windholz, judeu brasileiro radicado em Israel há 30 anos e diretor da ONG Alternative Center, e pelo New Israeli Fund, organização americana de Direitos Humanos fundada em 1979.

“Vocês que estão aqui hoje são as pessoas que podem construir a ponte entre os dois povos e fazer com que a paz aconteça”, disse Caetano em emocionado discurso.

Windholz elogiou a postura dos dois cantores em insistirem na vinda a Israel e sua postura aberta a conhecer de perto a realidade da região. “Ao participar desse encontro, eles estão apoiando as organizações a favor da paz e do diálogo tanto de Israel quanto da Palestina. Estão fazendo exatamente o contrário do que o movimento BDS propõe: em vez de isolar o país, estão incentivando a construção do diálogo.” Veja reportagem de 27 de julho do Jornal da Globo.

“Canta, Tel Aviv!”

Com as 27 músicas cantadas em Tel Aviv, Gilberto Gil e Caetano Veloso encerraram definitivamente a polêmica a respeito da realização de seu show em Israel, após meses de pressão pelo cancelamento da apresentação.

Os movimentos de boicote a Israel conseguiram espaço na mídia, mas não roubaram das cerca de 7.000 pessoas que lotaram o estádio Menorá Mivtachim Arena as duas horas emocionantes frente aos dois ídolos brasileiros, repetidamente chamados na mídia local de “gigantes da MPB”.

Gil e Caetano têm sido recebidos calorosamente em todos os lugares, mas ficou a impressão de que, em Tel Aviv, o encontro entre o público e os artistas teve um gostinho diferente. Algo como uma história de amor em que, após muitos reveses, os amantes puderam finalmente se encontrar. Nas três vezes em que Gil emitiu o simpático “Canta, Tel Aviv!”, a plateia reagiu à altura, com palmas e risos.

Afinal, eles vieram tão somente para encontrar o seu público, que os esperou ansiosamente e não escondeu sua alegria durante o concerto. Os poucos movimentos ou palavras dos dois ao palco – foi um show acústico, de banquinho e violão, regado a antigos sucessos – arrancavam a ovação do público.

A plateia dividiu-se entre brasileiros e israelenses, conhecidos amantes da música brasileira – muitos dos maiores nomes da MPB já passaram por aqui, como Daniela Mercury, Tom Jobim, Gal Costa e Roberto Carlos. Antes, durante e depois do show, não houve qualquer menção, de nenhuma parte, a polêmicas dos últimos dias, seja o pedido de boicote, seja a declaração de Caetano, em Tel Aviv: “Chega de ocupação e de repressão”.

Os dois “gigantes” deixaram o palco após três bis, sob os aplausos de um público satisfeitíssimo. Certamente levaram consigo a sensação de missão cumprida.

Veja como foi o final do show. Veja também reportagem da edição de 28 de julho do Jornal da Globo.

Reação palestina

“Caetano e Gil traíram nossa luta”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo o líder palestino Omar Barghouti, cofundador do BDS.

Fonte: Boletim CONIB

 



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