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Impulsos cerebrais podem curar fumantes, conclui estudo.

Impulsos cerebrais podem curar fumantes, conclui estudo

44% dos fumantes pesquisados que consumiam mais de uma carteira por dia conseguiram abandonar hábito com tratamento de choque, apesar dos fracassos passados

fumantes

Uma máquina que produz vibrações em regiões profundas do cérebro com correntes magnéticas pode ajudar fumantes compulsivos a abandonar o vício, mostra um estudo israelense.

No estudo, que os especialistas afirmam ser o teste mais rigoroso da tecnologia realizado até o momento, 44% dos integrantes de um grupo de fumantes compulsivos que não haviam tido sucesso com outros métodos finalmente conseguiram parar de fumar após algumas semanas de tratamento. Um terço dos fumantes tratados ainda não havia voltado a fumar nos seis meses posteriores. Isso pode não parecer um alto índice de sucesso, mas as taxas de fracasso de outros métodos antifumo podem chegar a 90%.

O método de corrente magnética estimula regiões do cérebro que são essenciais ao vício, usando um capacete especialmente desenvolvido para o tratamento. A tecnologia aumenta ou diminui a atividade elétrica do cérebro – aparentemente facilitando o abandono do hábito.

“Parece que mudamos a atividade elétrica das redes cerebrais de tal forma que ajudou as pessoas a deixar de fumar”, diz o professor Abraham Zangen, cientista do cérebro da Universidade Ben-Gurion do Negev, que ajudou a criar a máquina e coordenou o estudo de corte duplo cego prospectivo. “Fumantes compulsivos que fracassaram em tentativas anteriores de deixar de fumar, com medicamentos, adesivos de nicotina e psicoterapia, conseguiram.”

Com base nos resultados do estudo, publicados na revista Biological Psychiatry em julho, a Food and Drug Administration dos Estados Unidos agora está testando a máquina para aprovação.

Uma empresa com sede em Jerusalém chamada Brainsway espera colocar a máquina no mercado em dois anos. Um equipamento semelhante da Brainsway, com um capacete que atua em diferentes regiões do cérebro, já está sendo usado para tratar a depressão, e a empresa está testando outros capacetes para uma variedade de outras condições, como autismo e a doença de Alzheimer.

Religando o cérebro

O fumo é a principal causa de mortes evitáveis nos países desenvolvidos. O uso do tabaco causa cerca de 6 milhões de mortes e meio trilhão em prejuízos econômicos por ano, estima a Organização Mundial de Saúde. Mesmo com a ajuda dos tratamentos existentes, em torno de dois terços dos fumantes voltam a fumar dentro de seis meses.

“Acho que estamos vendo o início do fim da psiquiatria farmacológica.”

Zangen, que é consultor científico da Brainsway e tem participação financeira na empresa, trabalhou com o doutor Yiftach Roth, físico e cientista-chefe da Brainsway, durante dez anos para construir o equipamento para tratamento do fumo. É a primeira vez que a máquina é testada em humanos.

Os 115 participantes do estudo eram israelenses que fumavam pelo menos 20 cigarros por dia e não haviam conseguido deixar o vício com pelo menos dois outros métodos. Setenta e sete deles completaram o estudo – sentando-se na máquina, do tamanho de uma geladeira, usando o capacete durante 15 minutos por dia vários dias por semana, ao longo de algumas semanas,

Dentro do capacete, está a tecnologia fundamental: uma bobina de cobre especializada que gera um campo eletromagnético com o formato exatamente certo para estimular os córtexes pré-frontal e insular – centros de desejo e inibição do comportamento no cérebro.

Chamada de estimulação magnética transcraniana, ou EMT profunda, a tecnologia é uma versão com maior penetração da EMT padrão, que é usada há anos, mas se mostrou incapaz de proporcionar resultados duradouros. As bobinas da EMT profunda podem alcançar até 4 centímetros dentro do cérebro, comparadas ao 1,5 centímetro da EMT padrão – permitindo à máquina atingir regiões muito mais importantes do cérebro.

Com base em pesquisas anteriores, Zangen e seus copesquisadores acreditam que a EMT profunda funcione em fumantes ao impulsionar as redes de neurônios em regiões cerebrais inibidoras de comportamento – aumentando a capacidade de resistirem à necessidade de fumar. Os pesquisadores sugerem que os pulsos podem também interromper redes de neurônios essenciais para a ânsia viciante ao desencadear a liberação da dopamina do neurotransmissor – que se torna escassa durante a retirada do tabaco e de outras substâncias causadoras de dependência, dificultando o abandono.

O mais eficaz dos vários tratamentos testados no estudo envolveu pulsos de alta frequência enquanto “provocava” os participantes acendendo um cigarro na frente deles. Esse tipo de sinal mostrou ativar as redes neurais visadas e, por isso, os pesquisadores acreditam que seria mais fácil alterá-las.

Os participantes que realizaram o tratamento mostraram resultados dramáticos: no final do teste, 83% deles reduziram o fumo pelo menos à metade, 44% deixaram de fumar totalmente, e 33% ainda não haviam voltado a fumar seis meses após o último teste.

Um grupo de controle foi impulsionado com uma bobina simuladora, que imitava a sensação de latejamento e o som crepitante do produto real, mas sem seu efeito. Os controles não tinham sugestão para fumar. Os resultados foram muito menos significativos, com apenas 8% dos controles abandonando o vício em longo prazo.

Os relatos dos participantes sobre seu hábito de fumar foram confirmados com análises de urina. Alguns participantes tiveram dores de cabeça de pouca intensidade.

Redefinindo a psiquiatria?

A FDA está conduzindo testes clínicos sobre uma versão do tratamento mais eficaz em 20 clínicas nos Estados Unidos, na Europa e em Israel. A Brainsway espera que os testes sejam concluídos dentro de dois anos e, se forem bem-sucedidos, planeja começar o marketing e a venda do equipamento imediatamente após receber a aprovação.

O professor David Feifel, psiquiatra clínico e neurocientista da Universidade da Califórnia, em San Diego, usa a máquina da Brainsway já aprovada pela FDA no tratamento da depressão em sua prática médica. Segundo ele, a EMT profunda poderia revolucionar a psiquiatria – mudando o foco do tratamento da alteração química do cérebro para a elétrica.

“Acho que estamos vendo o início do fim da psiquiatria farmacológica. A EMT avançou mais em cinco anos do que os medicamentos em 50”, diz Feifel, que considera o estudo de Zangen o mais impressionante sobre a tecnologia feito até hoje. “Agora que sabemos o que precisa ser feito, melhorar e expandir o tratamento é principalmente uma questão tecnológica. Só vai melhorar.”

Um pequeno estudo do qual Zangen participou recentemente descobriu uma máquina com uma bobina diferente que poderia ajudar a tratar alcoólicos depressivos. Zangen está coordenando um estudo de acompanhamento sobre fumantes, usando a eletroencefalografia, ou EEG, para identificar como exatamente o cérebro muda em resposta ao tratamento.

A Brainsway tem planos ainda maiores. A empresa afirma estar testando os capacetes com bobinas para uma várias condições, como transtorno bipolar, dor crônica, esquizofrenia e transtorno obsessivo-compulsivo.

Fonte: Times of Israel

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