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10 principais formas israelenses de combate à desertificação

10 principais formas israelenses de combate à desertificação

Israel ganhou reconhecimento mundial por sua habilidade de transformar desertos estéreis em terras úteis e cultiváveis. O ISRAEL21c lança um olhar sobre as 10 principais ecoestratégias do país.top1Palmeiras que crescem no Deserto de Arava, no sul de Israel.

Foto: Flash90.

O clima irregular e violento do ano passado é apenas uma pequena mostra do que está por vir, preveem cientistas climáticos, à medida que o impacto do aquecimento começa a afetar o planeta. O tempo ficará cada vez mais imprevisível, as enchentes se tornarão mais intensas, e as secas e a fome, mais disseminadas enquanto a terra cede lugar ao deserto.

Com os desertos cobrindo uma vasta extensão de sua superfície, Israel teve de desenvolver rapidamente soluções para a falta de áreas cultiváveis e de água potável. A pesquisa, a inovação, as conquistas e a educação israelenses sobre esse tema agora se estendem ao globo no enfrentamento de problemas comuns a todos os habitantes de regiões desérticas.

“Temos realizado muita pesquisa sobre a resposta do ecossistema à seca porque temos esse problema na soleira de nossas portas”, diz o professor Pedro Berliner, diretor do principal centro israelense de pesquisa focada no deserto, o Instituto Jacob Blaustein da Universidade Bem-Gurion no Deserto de Negev.

O ISRAEL21c enfoca os 10 maiores avanços para combater a desertificação, com destaque para o trabalho realizado pelos pesquisadores do Instituto Blaustein.

1. Olhando para os ancestrais

Eles viveram na Terra de Israel há mais de 2.000 anos, no coração do Deserto de Negev, e ainda assim descobriram uma forma de sobreviver e lutar. Como os nabateus conseguiram construir uma comunidade sustentável que oferecia alimentos, lenha e pasto para os animais?

Essa é a área de interesse do professor Pedro Berliner. Ele desenvolveu uma versão moderna no sistema nabateu de coleta de águas de enchentes, os Sistemas Agroflorestais de Escoamento de Águas Pluviais, e viaja pelo mundo ensinando agricultores de países como Quênia, Turcomenistão, Uzbequistão, Índia e México a implementá-lo. Sua abordagem de baixa tecnologia redireciona as águas de enchentes para áreas cercadas por diques ou fossos cavados manualmente onde são plantadas árvores ou arbustos.

Berliner diz que seu sistema representa um avanço em relação aos nabateus. “Em nosso sistema, não apenas plantamos árvores e fileiras de culturas agrícolas entre elas, mas também reinventamos uma antiga solução usando arbustos produtores de legumes que possam absorver o nitrogênio da atmosfera através de suas raízes”, explica Berliner. A fertilidade do solo é mantida praticamente sem custos, garantindo a sustentabilidade de longo prazo do sistema.top2

2. Tirando o máximo proveito do sol

Nos países em desenvolvimento, as pessoas ainda cortam árvores para lenha. Isso causa a desertificação, devido à falta de vegetação para sustentar o solo e seus nutrientes. A chuva remove a cobertura da terra, deixando para trás uma areia estéril.

Os avanços de Israel em unidades de geração de energia solar para residências ou vilas podem ajudar a mudar isso ao oferecer uma alternativa limpa e renovável. O professor David Faiman, na Universidade Ben-Gurion, criou uma célula concentradora fotovoltaiva (CPV, na sigla em inglês) perfeita para países em desenvolvimento que enfrentam o desmatamento, e ele é apenas um entre as dezenas de pesquisadores e empresas israelenses trabalhando nessa direção.

“Israel está ajudando a combater a desertificação tornando a energia solar uma alternativa viável em relação à forma convencional de cortar árvores para lenha”, diz Berliner ao ISRAEL21c.

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3. Ajudando peixes a nadar no deserto

Uma vasta área desértica não precisa desperdiçar tempo quando culturas de alto valor prático – especialmente as alternativas, como a aquicultura – podem prosperar nesse espaço. Os professores Shmuel Appelbaum e Dina Zilber, da Universidade Ben-Gurion, ajudaram a aperfeiçoar um sistema para cultivar peixes no deserto.

O sistema usa água salobra – com alta concentração de sal – e a bombeia para a terra em piscinas para cultivar peixes marinhos. Isso proporciona uma fonte totalmente nova de proteína e renda para moradores do deserto. As condições em alguns desertos também são ideais para criar peixes de aquário, e Israel está começando a produzir pequenas espécies para exportação à Europa.

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4. Culturas alternativas na areia

A exemplo da aquicultura, vários tipos de cultivo tolerantes à aridez podem ter sucesso no sol quente do deserto. Alimentadas com água salobra ou de baixa qualidade, as algas para biocombustíveis ou neutracêuticos representam uma forma inovadora de cultivar produtos de alto valor em terras aparentemente improdutivas. Várias empresas e instituições de pesquisa israelenses estão trabalhando para criar o ambiente ideal para esses microorganismos baseados em vegetais, além de engenharia genética para fazer as algas conterem mais lipídios que possam ser transformados em biocombustível.

A Universidade Ben-Gurion, o Instituto Weizmann e o Instituto de Tecnologia Technion de Israel uniram-se para acelerar essa pesquisa. Enquanto isso, empresas como a Seambiotics já têm produtos comerciais colhidos diretamente do deserto.

Outras culturas alternativas que Israel está desenvolvendo no deserto incluem árvores produtoras de argan para extrair o valorizado óleo. Inicialmente, as árvores cresciam apenas nas montanhas do Atlas, em Marrocos. Israel também tem um programa para irrigar oliveiras com água salobra. “Está funcionando bem e é definitivamente o único lugar onde isso é feito”, afirma Berliner.

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5. Construções verdes

Se Israel é conhecido por seu conhecimento em construir casas adaptadas para o deserto, isso se deve a projetos criados e testados no deserto pelo Instituto Blaustein. A unidade de Arquitetura no Deserto e Planejamento Urbano da escola é focada em casas que não exigem ar-condicionado, mesmo durante o dia, quando o calor é mais intenso.

O ecoarquiteto da universidade Isaac Meir é especializado em arquitetura passiva de baixa energia (PLEA) para climas quentes e áridos. Fatores como direção do vento, ângulos solares e temperaturas diárias são levadas em consideração. O livro Climate Responsive Architecture – A Design Handbook for Energy Efficient Building (Arquitetura Responsiva ao Clima – Um Manual de Projeto para Construção Eficiente em Energia), do qual Meir é coautor, conquistou atenção global.

6. Mais produto por gota

Não se pode falar no sucesso de Israel em fazer o deserto florescer sem mencionar a irrigação por gotejamento e as empresas que tornaram o país o melhor amigo do agricultor nos climas quentes e áridos. Entre essas empresas, estão Plastro, Netafim e NaanDan Jain. Diferentemente de muitas inovações em Israel que têm início em laboratórios ou institutos de pesquisa, a moderna irrigação por gotejamento foi desenvolvida de forma pioneira no próprio campo, por produtores, e é amplamente usada em todo o país para obter as melhores safras usando o mínimo de água. As técnicas israelenses de irrigação por gotejamento são constantemente compartilhadas por outros países por meio do Centro MASHAV para Cooperação Internacional, do Ministério das Relações Exteriores.

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7. Raízes da pesquisa

O Instituto Volcani de Beit Dagan, organização de pesquisa agrícola mantida pelo governo, é conhecido por produzir variedades genéticas de plantas que têm bom desempenho em condições menos favoráveis. Os cientistas do centro não apenas estudam a resistência das plantas à seca, como também desenvolvem variedades de legumes e frutas que obtêm o máximo rendimento de produto por volume de água usada. Isso permite aos agricultores e vendedores de sementes de Israel encontrar um amplo mercado para seus produtos.

O centro também tem feito importantes pesquisas sobre antigas espécies de trigo, como a variedade selvagem consumida nos tempos bíblicos, além de resistência a pestes e métodos de controle biológico que usam menos recursos e químicos.

Sem relação com o Volcani, mas localizada nas proximidades em Rhovot, há a Faculdade de Agricultura da Universidade Hebraica. Os cientistas do local realizam um trabalho incrível em melhorar a produção de tomates e cultivos agrícolas, entre outros produtos.

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8. Reflorestamento

Quando realizado corretamente, o plantio de árvores pode reverter a desertificação sustentando a terra à medida que a vida vegetal fixa raízes na areia, ajudando a criar um ciclo de nutrientes que alimentam o solo.

Israel é o único país nos últimos mais de 100 anos a obter lucro líquido a partir das árvores. Doar dinheiro todo ano para cultivar árvores por meio do Karen Kayemeth LeIsrael (Fundo Nacional Judaico) é uma prioridade mundial do país e um modelo que muitos países copiam ao tentar reflorestar suas terras perdidas. O Fundo Nacional Judaico também conduz pesquisas para identificar quais árvores se desenvolvem bem no deserto, sobrevivendo apenas das correntes de vento, e quais se saem melhor em zonas mais úmidas e temperadas, como a região da Galileia.

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9. Dançarinos da chuva

Nos anos 50, o governo israelense, sob a liderança de Golda Meir, fundou o MASHAV para compartilhar o recém-descoberto conhecimento de Israel na agricultura no deserto. O MASHAV opera uma variedade de programas, mas é mais conhecido por seus seminários no país e onde forem necessários – África, Oriente Médio, América do Sul, América Central, Índia, China – treinamentos sobre técnicas que variam desde gestão de estufas e irrigação a criação de peixes e produção leiteira. Patrocinado pelo MASHAV, o programa TIPA já ajudou mais de 700 famílias de agricultores senegaleses a se sustentar com o uso da irrigação por gotejamento.

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10. Gestão do desperdício de água

Quase todas as experiências bem-sucedidas de Israel enumeradas acima se resumem no fato de Israel ter conseguido se destacar em gestão do desperdício de água em uma escala nunca alcançada por outro país. Uma expressiva parcela de 50% da água irrigada de Israel vem da reciclagem, de acordo com Berliner, e boa parte disso é reciclada através de florestas plantadas pelo Fundo Nacional Judaico (JNF). O país que mais se aproxima do nível de reaproveitamento de água de Israel é a Espanha, que reutiliza apenas 20% de seus recursos líquidos.

Fonte: Israel21c



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