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Rocha vulcânica para limpar vazamentos de petróleo

Rocha vulcânica para limpar vazamentos de petróleo

Todo ano, ocorrem entre 180.000 e 240.000 vazamentos de petróleo no mar em todo o mundo, dos quais 10% apenas nos Estados Unidos. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) e a Agência de Proteção Ambiental (EPA), a quantidade de petróleo derramado nos Estados Unidos está entre 10 milhões e 25 milhões de galões.

Esses vazamentos de petróleo têm efeito sobre a vida marinha, cidades costeiras e portos. A “startup” de tecnologia limpa israelense EcoBasalt, fundada em fevereiro, diz oferecer uma solução diferente para tratar dos problemas ambientais.

Após vários anos de pesquisa, a EcoBasalt desenvolveu o SB-1, um material sustentável feito de fibras de basalto que pode absorver o óleo. De acordo com a empresa, a absorção via basalto é mais rápida e eficiente do que outras soluções.

Negócio perigoso

Lidar com vazamentos de petróleo pode ser tóxico, caro e às vezes perigoso. Entre os métodos para limpar vazamentos de óleo, estão dispersantes, queimas controladas, equipamentos de separação de água e óleo e materiais absorventes.

Agentes absorventes, que absorvem o óleo, são frequentemente discutidos como uma alternativa aos tradicionais esforços de recuperação de petróleo. No entanto, de acordo com a EPA, eles são muito usados em pequenos derramamentos ou resíduos de um grande vazamento. Alguns absorventes podem se expandir mais de 50% acima de sua massa original, mas precisam ser recuperados depois, tornando o processo difícil.

“Os materiais absorventes de óleo atuais, principalmente os feitos de derivados de petróleo como polipropileno, são ineficientes e lentos”, disse o CEO da EcoBasalt, Robert Barzilay, em entrevista ao NoCamels. “Além disso, têm de ser descartados após o trabalho, o que não apenas é caro como também transporta a poluição para os aterros sanitários ou para a atmosfera quando queimados no mar. Dessa forma, ainda deixam resíduos tóxicos no mar e dispersam partículas de carbono em outros locais.”

Fibras da pedra de basalto

Os fundadores da EcoBasalt desenvolveram um processo industrial para produzir fibras de basalto com propriedades distintas, usadas para vazamentos de petróleo no mar.

O produto, o SB-1, é feito de basalto – uma rocha dura, preta e vulcânica. A partir dessas rochas, a EcoBasalt produz fibras de basalto, que, de acordo com a empresa, são mais eficientes do que outras fibras em termos de estabilidade térmica, calor, frio, resistência à vibração e durabilidade.

 

Até o momento, o uso da fibra de basalto é mais comum nas indústrias de construção, automotiva e de aviação, além dos segmentos de pavimentação de estradas e têxtil.

De acordo com a EcoBasalt, ao contrário dessas aplicações, que não usam fibras de basalto 100% puras, mas uma combinação de diferentes fibras, o SB-1 é baseado apenas em fibras de basalto. É um mineral absorvente resistente a químicos, sais, ácidos e álcalis, operando sob temperaturas que variam de 700°C a -196°C. A empresa diz que não envolve riscos tóxicos à saúde.

O produto foi testado na Holanda, além de um laboratório independente nos EUA, com base no protocolo de testes de absorventes da SAIC Canadá. De acordo com a EcoBasalt, os testes provaram que o SB-1 absorve petróleo de forma mais eficiente e rápida do que outros produtos, e a empresa espera que se torne o padrão com o qual outros absorventes serão comparados.

O SB-1 é reciclável e reutilizável: quando submetido a pressão, o petróleo absorvido é removido, e o material do SB-1 restante pode ser misturado com asfalto para construir estradas e pistas de pouso e decolagem, o que o torna um produto amigável ao meio ambiente.

Potencial de crescimento

O mercado para produtos de recuperação de vazamentos de petróleo está dividido entre o mercado marinho – como as guardas da marinha e costeiras, áreas de pesca, portos e marinas – e mercados terrestres, como aeroportos, estações e refinarias de petróleo.

De acordo com o site da EcoBasalt, o mercado global para produtos de vazamento de óleo era de US$ 68 bilhões em 2009 e pode chegar a US$ 143,5 bilhões até 2015. Mais especificamente, a projeção para o mercado de absorventes de vazamentos de óleo no mar como o SB-1 é de um crescimento de US$ 7 bilhões em 2009 para US$ 16,4 bilhões até 2015.

A EcoBasalt conseguiu exposição em conferências como a Interspill 2012, em Londres, e a CleanTech 2012, realizada em Tel Aviv. Foi selecionada para ser uma das nove empresas participantes do programa acelerador de seis meses The Hive, operado pelo Gvahim.

A empresa mantém suas áreas de pesquisa e desenvolvimento, marketing e vendas em Israel. “Até agora, nos autofinanciamos e estamos buscando investidores para financiar nossa operação em Israel e uma unidade de produção conjunta na Islândia”, afirmou o CEO Robert Barzilay ao NoCamels. Até o final do primeiro ano, a meta da EcoBasalt é de um investimento total de US$ 2 milhões para começar sua produção própria.

A empresa também planeja estabelecer joint ventures para produção de fibra de basalto na Islândia, na Armênia, na África do Sul e no Canadá. Além disso, espera participar de projetos conjuntos para desenvolver produtos acabados – como barreiras de contenção para vazamentos de óleo no mar – nos EUA, em Cingapura e na Holanda.

Fonte: No Camels



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