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O significado do Dia do Holocausto

 

O significado do Dia do Holocausto


Marx Golgher - Diretor da Federação Israelita do Estado de Minas Gerais

Publicação: 27/01/2012 04:00

Fonte: http://impresso.em.com.br/app/noticia/cadernos/opiniao/2012/01/27/interna_opiniao,22677/o-significado-do-dia-do-holocausto.shtml

 


O Dia Internacional de Recordação das Vítimas do Holocausto foi aprovado na Assembleia Geral da ONU em 2005, para ser celebrada em 27 de janeiro, coincidindo com libertação do campo de extermínio de Aushwitz, na 2ª Guerra Mundial. A data é dedicada à recordação ao mundo do fato de que 6 milhões de judeus, dos quais 1,5 milhão eram crianças, foram vítimas do maior massacre deliberado de população civil da história da humanidade, genocídio perpetrado pelo totalitarismo da Alemanha nazista, chefiado por Adolf Hitler.
Em comunicado emitido para lembrar a data, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que já se passaram mais de 60 anos do assassinato de um terço do povo judeu e milhares de outras vítimas, como homossexuais, socialistas, comunistas e dissidentes políticos, mas que a natureza grotesca e o tamanho do holocausto não diminuíram com o tempo.
Ela afirmou que a celebração da data serve como um forte aviso sobre o que pode acontecer quando o preconceito, o ódio e o racismo têm espaço e são usados deliberadamente como ferramenta política. Pillay ressaltou que um enfoque permanente sobre o holocausto ajuda a manter o alerta para os perigos apresentados pelas formas contemporâneas de antissemitismo, calúnia e discriminação a grupos raciais, étnicos e sociais.
De fato, causa perplexidade ao mundo civilizado o fato de uma ínfima campanha de ódio ao judeu pela Alemanha na década de 1920, instrumentalizada por um pequeno partido nacional-socialista (nazista) da Bavária, ter mobilizado enormes massas de alemães, considerados dos mais cultos da Europa, para transformar o chefe absoluto do partido, a chefia absoluta da nação em 1933, em um dos pilares da eliminação dos judeus do mundo. Movimento de ódio que culminou com a provocação da 2ª Guerra Mundial (1939 –1945). Resultou na morte de mais de 6 milhões de seres humanos, e incalculável perda de patrimônio cultural e artístico por todos os continentes. Como foi possível que tudo isso ocorresse em apenas 12 anos (1933–1945)?
Evidencia-se que Hitler aproveitou-se da crise econômica que flagelava o mundo, particularmente o povo alemão, e que seria agravada mais ainda pela depressão de 1929. Para capitalizar o ódio aos judeus residentes na Alemanha, o partido nazista lhes lançou a culpa pela derrota na 1ª Guerra Mundial, a responsabilidade pela penúria econômica da nação germânica, ao dominar a economia e finanças do país e do mundo.
Enfatize-se a contradição aberrante na biologia da propaganda nazi: se de um lado divide a humanidade em pessoas de raça superior, liderada pelos arianos germânicos, fadada a governar o planeta, gabando suas excelsas virtudes biológicas de pujante saúde mental e física superiores a todas as outras raças, a colocar os judeus (ao lado dos negros, raças mistas) no mais baixo nível mental e físico, próximo aos macacos, como explicar que 500 mil judeus alemães – débeis mentais, segundo o critério racial nazi – poderiam controlar e submeter aos seus maliciosos desígnios nada menos de 60 milhões de arianos da Alemanha nazi, que detinham todos os poderes do Estado?
Na realidade, pouco importa a carência de lógica ou racionalidade elementar no discurso nazista. Foi pela exploração emocional nos momentos de crise que o nazismo de Hitler demonstrou os efeitos da propagação do ódio contra minorias, na busca de bodes expiatórios, contribuindo para a rápida intervenção de padrões crescentes de preconceito que podem levar ao genocídio, como o holocausto.
A representante da ONU disse ainda que o Dia Internacional do Holocausto permite aos países examinarem os índices de combate ao fenômeno racista, a apelar no sentido de que os dirigentes políticos mostrem compromisso em promover o diálogo e o respeito, não apenas com relação aos judeus, com também entre todas as pessoas de todas as culturas, religiões. Bastaria isso para justificar plenamente a iniciativa da ONU em celebrar o Dia do Holocausto.


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